Lara Croft está de volta mais realista do que nunca. Com uma nova história e um novo plano de fundo, Tomb Raider nos mostra como as garotas também podem ser duronas, mas esse reboot da série é realmente o renascimento de uma sobrevivente ou não passa de uma volta no parque?
Foi em 1996 a primeira vez em que ouvimos falar da arqueóloga Inglesa conhecida e adorada por todos chamada Lara Croft. Inovando e quebrando barreiras no console de última geração que era o Playstation da época, Tomb Raider foi o estopim para os jogos de Ação/Aventura no admirável mundo novo dos jogos com gráficos em 3D. De lá para cá, mais 8 jogos da franquia foram feitos até o "Tomb Raider Underworld";agora, Sqare Enix e Crystal Dynamics nos presenteiam com o Décimo jogo da série, que recomeça a história toda do zero.
A História:
O jogador entra na pele de Lara Croft, uma jovem e ambiciosa arquiteta cujas teorias sobre a localização do reino perdido de Yamatai convenceu a família Nishimura - eles mesmos descendentes de Yamatai - a realizar uma expedição em busca desse reino perdido. A expedição é liderada pelo Dr. James Whitman, um famoso arqueólogo que agora tenta escapar da falência e do fim de carreira, numa busca pelo reconhecimento novamente, acompanhado de Conrad Roth, um Marine que acabou virando um aventureiro, muito amigo da família Croft, e que serve como o mentor de Lara. Fora os outros personagens da trupe, se encontra no grupo Samantha "Sam" Nishimura, a jovem e bem humorada representante da família que está bancando toda a viagem, além de gravar tudo para um posterior documentário.
Ambientação:
O jogo todo se passa em Yamatai, uma ilha localizada no Triângulo do Dragão, na costa do Japão. A ilha - assim como o reino que ali existiu - está completamente envolta de mistério, devido às ferozes tempestades que aguardam qualquer tipo de transeunte que ouse viajar por essa região. Antigamente dominada pela rainha chamada Himiko, conhecida pelo título de "Rainha do Sol",que de acordo com as lendas possuía poderes xamanísticos capazes de controlar e conjurar terríveis tempestades. Pouco se sabe sobre a população do local ná época em que se passa a lenda, e tão pouco se realmente existiu uma Rainha do Sol.
Os habitantes da ilha são agora a Irmandade Solarii, um grupo de criminosos e sobreviventes de naufrágios que construíram uma sociedade que cultua Himiko, com seu propósito e intenções sendo explorado com o decorrer do jogo.
A nova Lara Croft. O Nascimento de uma sobrevivente:
Durante as primeiras horas de jogo o jogador já percebe que o que vai vir pela frente não será moleza. Não vai ser um jogo feliz, com piadinhas e personagens carismáticos pelo seu senso de humor. É um universo duro, em que sobrevivência é o prato principal, e flechadas são a sobremesa. O que mais me chamou a atenção sobre Tomb Raider foi o realismo com que a personagem Lara enfrenta cada situação, como ela reage com cada inimigo a atacando, mas mais especificamente a primeira vez que as coisas acontecem; o primeiro machucado, a primeira flecha atirada em busca de comida, a primeira armadilha, e a primeira pessoa que ela mata. Como já foi dito, esse jogo conta a história do zero, portanto, é a primeira aventura de Lara, ela ainda não é a exploradora de civilizações profissional que todos conhecem. Aqui nos é apresentado uma personagem tão real, tão humana, que muitas vezes eu me pegava sentindo a dor dela junto. Se deve ter alguma pessoa para substituir John McClane em Duro de Matar, esse alguém deveria ser Lara Croft.
Por conta desse realismo que a personagem nos trás, o que mais me impressionou na construção de caráter da personagem, assim como a definição do novo universo de Tomb Raider, foi quando Lara mata a primeira pessoa em sua vida, se salvando assim, de um estupro. Assim que ela mata seu carrasco com um tiro na cabeça, tira o corpo dele de cima de si, levanta e fica completamente atônita olhando o corpo semi morto do bandido, suja de sangue, ela tem a reação mais humana possível: cai de joelhos no chão e chora, enquanto tem ânsias de vômito. Eu realmente não estava esperando esse tipo de realismo num jogo que a minha vida toda joguei com o pensamento de ser um jogo "bobinho de aventura". Obrigado Square Enix. E palmas para Camilla Luddington, a atriz de captura de movimentos que deu vida à essa personagem tão perfeita.
| Lara antes de lutar por sua vida. |
| Hora de fazer algo Lara! |
| Psicológico destruído. |
Como se não bastasse tudo isso nas cutscenes do jogo, no momento em que a ação está comendo solta, balas zunindo e flechas partindo joelhos, Lara continua nos surpreendendo da forma com que reage não só aos inimigos, mas também com o ambiente cruel ao seu redor. Quando está frio, sua respiração fica acelerada, ela fica mais encolhida, dá até pra notar seu queixo tremendo. Durante a ação, enquanto o jogador a manda se esconder atrás de algo para se proteger dos tiros inimigos, sempre quando algum desse passa muito perto, Lara dá uma cambaleada para trás, grita, se protege com os braços, fica com medo. Conforme o jogo passa, é notável nela o quanto ela vai perdendo isso, vai se esquecendo que seus inimigos são humanos a cada novo choque de realidade. Fazia muito, mas muito tempo que eu não via um personagem tão bem construído assim em um videogame.
Mecânicas:
Tudo é aprendizado nesta aventura. Conforme o jogador progride no jogo, vai conseguindo mais armas, acessórios, assim como adquirindo experiência que mais tarde o recompensa com um ponto de habilidade para reforçar o conhecimento de Lara; seja esse para caçar animais, colher frutas, conseguir mais material para aprimorar equipamentos, ou técnicas de luta e de assassinato.
Durante o jogo serão encontrados acampamentos, que servem como um ponto seguro em que é possível salvar o jogo, viajar rapidamente de um ponto do mapa à outro ou comprar habilidades, aprimorar as armas com o material encontrado em baús ou no corpo de inimigos derrotados. Os aprimoramentos consistem em basicamente melhorar o dano que uma arma causa, diminuir o recuo, melhorar estabilidade e aumentar o tanto de munição que ela carrega.
| O Acampameto. |
| Aprimorando a pistola. |
| Aprimorando o Rifle. |
| Habilidades. |
Tá, mas e a exploração de tumbas?
Sabia que você, leitor, ia perguntar isso, e eu tenho a resposta. Esse novo jogo não é só ação e desenvolvimento de personagem e linearidade. O mapa de Tomb Raider é grande e ele pede para ser explorado incansavelmente. Dentre as missões secundárias estão tarefas simples e que todo jogo tem. Pegar todos os tesouros, acender todas as tochas das deusas, fazer tudo aquilo, completar tudo aquilo. MAS!! Os produtores deixaram aquele gostinho de exploração e descobertas intacto com a exploração de tumbas. Conforme você anda, ocasionalmente haverá marcas nas paredes indicando os santuários da Rainha do Sol, essas marcas são símbolos da religião antiga daquela população, e cada uma leva a uma tumba de uma encarnação da Himiko e claro, cada uma lhe dá uma recompensa por tê-la descoberto.
| Assim como tudo no jogo, as tumbas também são marcadas no mapa. |
| Uma das tumbas, representando bem a civilização antiga japonesa. |
O Veredito:
Não sei se estou sobre total influência da história por ainda não tê-la terminado, mas vocês perceberam que não falei mal do jogo em nenhuma frase. Claro, existem defeitos, existem coisas que irritam e uma coisinha aqui ou ali que não funciona direito. Óbvio. Nada é perfeito, mas na minha humilde opinião o resto do jogo é tão bom e imersivo que essas coisinhas pequenas são completamente ignoráveis.
O Pior: Esperar para ver o que será do próximo Uncharted.
reações psicomotoras bem definidas e realísticas, isso deve valer cada centavo
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