Far Cry volta com mais uma aventura épica de uma pessoa que se perdeu em uma ilha cheia de criminosos. Agora, é algo que vale mesmo a pena se arriscar, ou a frase anterior foi puro sarcasmo?
Não faz muito tempo desde a primeira vez que eu ouvi falar desse jogo. A minha reação inicial foi "Nossa...por que mais um FarCry?" Mas aí comecei a ver os videos, ver como estaria funcionando as mecânicas, além de ver o que os sites especializados estavam falando, e minha opinião não mudou. Mas uma vez que você joga, algo acontece dentro de seu cérebro, e tudo na sua vida passa a fazer sentido.
Minha reação ao jogar foi exatamente essa. Fui pego completamente de surpresa, e vamos aos fatos.
A História:
Você é Jason Brody. Um playboyzinho que foi passar as férias com seus irmãos e amigos em uma ilha deserta. Muita diversão e entretenimento estão aguardando essa garotada. Saltos com paraquedas, nadar com golfinhos, caminhadas na praia, banhos de sol, a tranquilidade de não ter nenhuma civilização por perto, assim como um bando de mercenários traficantes de escravos. O jogo começa com você e seu irmão mais velho presos em uma gaiola de bambu, com o vilão Vaas tirando uma com a sua cara. Logo, vocês escapam, seu irmão morre na tentativa, e você acaba caindo em um rio e desmaia. Quando acorda, descobre que foi salvo por um dos locais, e este te ensina as artes da matança. Bom. Na verdade ele não te ensina nada, apenas diz "Siga seus instintos, a natureza o ajudará", e assim como um certo presidente caçador de vampiros, Jason Brody vira do nada o maior guerrilheiro do planeta, em busca de seus amigos cativos ao redor da ilha. Uma ótima historia pra um filme B que não arrecadaria bilheteria alguma, mas para um jogo até que é suportável. Graças a Deus que a historia não é o forte desse jogo.
Jogabilidade e Mecânicas:
O que me impressionou nesse jogo foi exclusivamente a jogabilidade, junto com o cenário. a ilha é simplesmente enorme, e você tem livre arbítrio para fazer o que quiser nela. Missões secundárias o aguardam a cada canto, além dos perigos dos guerrilheiros que rondam cada parte, assim como a vida animal. Você percebe facilmente que a ilha está viva ao seu redor, e isso não somente com o jeito que as pessoas reagem a tudo, mas principalmente como elas se comportam quando estão conversando com você. Uma das coisas que fez eu perceber que não é só mais um jogo de FPS foi justamente a interação que os NPCs tem com o seu personagem. Quando eles estão conversando com você, eles te olham no olho, andam, coçam a cabeça e sua expressão facial é impecável. Diferente de muitos jogos do mesmo gênero (FPS de mundo aberto), tipo o Skyrim, Rage ou até mesmo o Dishonored, em que as pessoas que falam com você estão sempre paradas, mexendo somente a boca, e repetindo seguidamente a animação de bater um dos calcanhares no outro pé. Aqui em FarCry 3, você percebe o ótimo trabalho dos atores e dos animadores para por vida em seus personagens.
 |
| Vaas, o vilão, lider dos mercenários. |
As opções de jogabilidade variam desde a abordagem mais Stealth ( quando o inimigo não pode saber que você está lá), aos tiroteios mais frenéticos, e ao bom e velho jogo de plataforma, já que você vai ter que pular, escalar, correr e rolar por debaixo de muita coisa. E junto com tudo isso, ainda têm as habilidades.
As habilidades podem ser compradas com os pontos de experiência que você ganha para cada missão cumprida. Elas vem em 3 "árvores", cada uma com sua especificidade.
A primeira é focada em habilidades de longo alcance e mobilidade. Aqui você pode aprender a construir granadas, ou a melhorar a sua mira, quando estiver com um Rifle de longo alcance.
A segunda focaliza em combate direto e em cura. Aqui você pode melhorar suas habilidades de Primeiros Socorro, ou aprimorar sua defesa com explosões e etc.
E a terceira serve para aprimorar a furtividade e habilidades de sobrevivência, como conseguir mais itens de ervas, ou de animais que você caça, e na furtividade habilidades como diminuir o barulho que você faz quando anda agachado, ou arrastar o corpo de uma pessoa que você acabou de matar.
Os nativos da ilha dizem algo sobre suas tatuagens. Eles dizem que "sua tatuagem lhe mostrará o caminho", com isso, para cada habilidade nova que você adquire, aparece uma tatuagem nova em seu braço, e quando você estiver com ela completa, se tornará um "Verdadeiro Guerreiro".
 |
| Uma parte da tatuagem completa. |
Além de tudo isso, eu percebi alguns elementos um tanto quanto "Assassins Creedianos" neste jogo. Vamos relembrar que este também é um game da Ubisoft, assim como o dos assassinos encapuzados.
O que eu notei foram algumas coincidências com o jeito como você conquista certas coisas; como a visibilidade ampliada do mapa, você deve escalar a torre de radio até o topo, e lá em cima ativar a transmissão, depois, você desce rapidamente por uma tirolesa que o leva para baixo rápida e seguramente. Isso permite que você veja uma parte do mapa que não podia ver antes, além de pontos específicos nele, como pontos de coleta de ervas, pontos de caça e etc; sendo que isso diminiu os preços de armas e acessórios em lojas da região.
Outra coisa foi o jeito que você pode se esconder no meio de arbustos, e enganar seus inimigos para uma armadilha, por meio de subterfúgios do tipo assoviar, ou jogar uma pedra para fazer ele checar se tem algo errado. E sem falar que, depois de uma certa habilidade, você pode até realizar um "Air Assassination" em dois inimigos de uma vez.
 |
| Em Far Cry 3, você muitas vezes será a caça, ou o caçador. |
O Veredicto:
Eu devia ter escrito o Review desse jogo a mais ou menos dois dias atrás. O motivo do atraso foi porque eu simplesmente não consegui parar de jogar. Acho que isso já diz o suficiente como veredicto. Mas, se você espera um jogo com uma história super elaborada, com "plot twists" em todos os cantos, Far Cry 3 não é o seu jogo. Mas se você quer um jogo divertido, com muitas facetas e horas de jogo, pode ter certeza que essa é a escolha certa.
O Melhor: Voar de Asa Delta.
O Pior: O serrilhado da versão de console, que mesmo na resolução 1080p persiste.